domingo, 16 de março de 2008

Entre cortes e pontos.

Não saberia descrever ao certo o estado em que me encontro. Não estou cansada, porém algo não me deixa sair dessa entropia. Os resquícios das intervenções no domingo ainda escorrem em mim, e mesmo estando aqui sinto uma fervorosa dor de cabeça ao tocá-los. Não são os ferimentos que me doem, esses estão devidamente secos e ponteados. Talvez seja o esvaziamento pós-parto. Durante a noite citada tive vários surtos, não contei as vezes que acordei sentindo meu corpo ainda em constante movimento. Lambo minhas feridas e ressalto: experiência extraordinária. Mesmo com os espelhos entrando na minha carne, cortando a pele e jorrando o sangue, me senti imbatível diante de tudo. O risco era consciente, porém alguma força me dominava vindo não sei de onde, esse "algo" me tornava uma máquina. E eu rolava incessantemente sobre o meu reflexo fragmentado. Havia um campo delimitado entre o meu corpo em movimento e os espectadores que assistiam impotentes aquela sangria. A crueldade ingênua. Qualquer pessoa poderia fazer parar, poderia evitar o contato visual com aquilo, tudo seria permitido naquele espaço e tempo, mas a sede os impediam. Não existia lamento ou dor durante o ato, mesmo com os gritos e gemidos desordenadas da minha voz. O fato, é que eu me repulsava, me tornando minha própria vítima. Precisava me abandonar para nesse momento, juntar os cacos. Sou minha própria excreção. Curar feridas é necessário, ferimento superficial num rasgo profundo.


Catarina Alice, sobre outras coisas.

6 comentários:

Anônimo disse...

Realmente o que houve foi uma "crueldade ingenua". Eu mesma não imaginava que chegaria a tal ponto. Mas o que vale no somatório são as experiências.
Gostaria de ver a galera do grupo também falando das suas impressões, afinal de contas tem muito o que expressar do que foi tão intenso.

Camila Maria

ChrystineSilva disse...

Bem...

Eu avisei!!!

Um dia eu quebrei um copo em casa durante uma lavagem de louça, imediatamente fui recolher os cacos de vidro pra que ninguém se machucasse, aí vem minha sobrinha de 3 anos e diz: "Titia, esse corta!!"

MORAL DA HISTÓRIA: È sempre bom seguir os conselhos dos mais sábios...

Catarina Alice disse...

¬¬°

Anônimo disse...

Ok, não interessa o que aconteça, eu cuidarei de vcs.


[nada como uma equipe de apoio eficiente]

Bjs

Kalindra

meL disse...

Minha heroína! hohohohohohoho

laura disse...

"Mesmo com os espelhos entrando na minha carne, cortando a pele e jorrando o sangue, me senti imbatível diante de tudo."
jah deixei o scrap no orkut, mas vale registrar de novo aki
...IMPORTANTE