terça-feira, 22 de abril de 2008

Amicitate e Inimicitate: entre a benevolência e a aversão.

2º Workshop ministrado por André (22/04/08): unidos mais uma vez numa reunião cheia de desavenças e cordialidades.


As relações afetivas são testadas pela exaustão. Quando chegamos ao ponto máximo
de esforço e resistência, quando os músculos tremem e o coração vira uma bomba em contagem regressiva para explodir, quando o suor e o cheiro do outro misturam-se ao seu, quando se ouve a música que toca dentro do corpo do outro, quando se escuta o próprio corpo cantar, gritar, chorar, implorar... E quando você se deixa vencer e atende a suas súplicas pra no fim perceber que poderia ter ido mais além.
A fraqueza do outro testa a sua força e resistência. Como um grupo somos um só corpo, uma só dor. Respirações ofegantes, gemidos, inspirações e expirações controladas: tudo para tentar dizer ao seu corpo que esse sofrimento é passageiro. E neste corpo que não é somente o seu todos têm que seguir juntos, a falha de um é a falha do outro. Difícil saber se suportamos o desafio por nós ou por todos. Vendo o amigo ao seu lado beirando o limite e a queda que também lhe levará de volta ao início, aumenta-se ainda mais o seu esforço pra ajudá-lo a cruzar a linha de chegada. Mas leva-se o outro por companheirismo ou por puro egoísmo?
Os sentimentos se confundem, o amor e o ódio se liquefazem em cada gota de suor, em cada pêlo do corpo do outro que agora fazem parte do seu, em cada gesto alheio que incomoda e não se sabe o porquê. Aquele que lhe ampara é o mesmo que lhe derruba. A mão que estendemos para ajudar àquele que se deixou abater é a mesma que gostaríamos de usar para esbofetá-lo. Todos os tipos de xingamentos descem até a ponta da língua, mas não são ditos porque não se sabe à quem dizê-los: pra eles ou pra VOCÊ?
Seu corpo é invadido pelos outros e também jogado dentro de outrem sem consentimento prévio. Contudo, são nesses momentos que acontecem as maiores descobertas. Enxergar com somente um olho limita a sua visão, mas nos mostra detalhes nunca antes vistos, perspectivas nunca antes exploradas.
São exatamente essas pessoas que me descobrem e se deixam ser descobertas as que chamo de amigos.

"You are my friend
Yes, my only friend and
That's what you'll always be
So I take your part
If you come with me
And we'll live by the Animal Sea"

Um comentário:

carol disse...

"...a falha de um é a falha do outro. Difícil saber se suportamos o desafio por nós ou por todos."

Resume tudo o que eu senti ontem! Dor, angústia e o bendito "ponto y". Todos acabados, mas se acabando juntos.
Mais do que o individual, o limite do GRUPO.



E essa música. Bem é linda, mas fiquei com medo na hora que você cantou! Foi ótimo.