terça-feira, 7 de outubro de 2008

"Estudo Sobre Natureza Morta"


Apreensão desde o início... Não consegui dormir, comer: medo. Mesmo sabendo que tudo poderia acabar a qualquer momento, é só dizer não. Essa negação não sairia de mim, tinha que sair, tinha que sair.
Chegada: muito cedo.
Espera: longa, mas mais curta do que eu gostaria que fosse.
Preparação: simples, como seriam as doze horas.
Arruma-se o pano, a flor, o azul que saiu duas horas depois, do qual me lembrei até o fim da noite: a flor doce que me embrulha o estômago. Não era fome, não era sede,
não era...
O último beijo antes no início da eternidade.
Movimento, movimento, linhas, toques e, dores. As dores somem, ao me tocar pareço não estar me tocando: suor, aspereza. Sono, não,
eu apenas esquecia...
Pessoas vinham e iam, e eu ali.
Energias se renovavam, e eu ali.
A concentração ia embora, e eu ali.
A dor segue o caminho, e eu ali.
A concentração voltou, apenas uma vez, por algumas horas antes de ceder seu lugar para a realidade que apagava.
O Sol me persegue, a eternidade do crepúsculo.
Muda a partitura: acentos, fluxo, tônus. Até que o cansaço: MUDA TUDO. Movimentos tomam uma nova forma. De dentro, o avesso.
O frio treme.
O calor engrandece.
O medo intimida.
As dores quebram.
E eu ali.
Espaço branco me cobria, paredes. Ninguém toca. Nada. Ninguém entra.
Todos olham.
Comeu? Não! O que é? É! Pra que serve? Sim... Eu sei, ele explica. Ele me olha, ele me cuida, nunca pareceu tão longe... O espaço branco.
Uma criança na chuva.
Pára!
Não to mais aguentando!
Não sei!
Falta pouco, só mais um pouco...
Dez horas e alguns relevantes minutos.

4 comentários:

meL disse...

Você fez? De verdade? oO'

carol disse...

Sim ela fez. Foi no Cefet
Amostra de arte Contemporânea :)

Catarina Alice disse...

FODA.

Juão disse...

fazer coisas que exijam muito do corpo, com duraçoes enormes, nao sao pra todos!parabéns
que esse estudo fique cada vez melhor!!!